terça-feira, 28 de abril de 2015

A sua liberdade termina onde começa a do outro




Oi? Oi. Oi!
Estive aqui pensando por um momento: por que muitas pessoas tem preconceito contra alguns estilos musicais?
- Ah Lê, deve ser porque não gostam. 
Ok, até a parte do "não gostar", tudo bem. Mas é motivo suficiente para ter preconceito com os grupos que gostam de determinados estilos? Não, não é suficiente. E posso lhes dizer mais: o preconceito musical não tem início na própria música. Hã? Isso mesmo. O preconceito musical tem início nas pessoas. Digamos que é a continuação de outros problemas sociais. Mas o que tem a ver estilo musical com problemas sociais? T-U-D-O.
As pessoas usam como "arma" a música para apontar as outras como marginais, drogados, pobres, entre outros adjetivos. "Tal pessoa escuta RAP, é da favela." Oi?! Tu tem preconceito com gente pobre? Lembre-se: as pessoas também se utilizam da música para protestar de alguma forma. E pode ser contra a sua hipocrisia, quem sabe.
Pode até ser que quem escute funk seja de origem humilde, mas e aí? Eu posso pertencer a classe A e mesmo assim ouvir funk, RAP ou qualquer outro estilo com o qual eu me identifique. O que importa mesmo, é aquele estilo refletir minha forma de pensar.
Claro, oxi. Não vou ouvir música clássica porque é phyno, vou ouvir música clássica se eu curtir, se eu quiser. 
Nesse post então, resolvi abordar dois estilos musicais que são vistos com preconceito por uma parcela da sociedade: o RAP e o Funk.
O RAP (ritmo e poesia) é um estilo musical que tem origem na Jamaica, na década de 60 e que foi levado posteriormente para os bairros pobres dos EUA e foi se disseminando devido a necessidade de se conhecer um novo estilo, através dos próprios jamaicanos e espanhóis. Tá, e por que o RAP permaneceu? Digamos que é uma forma de crítica social. Mas uma forma de criticar/protestar que deu certo, porque de certa forma, nos leva a refletir sobre a nossa vida em sociedade, como ela está e como ela pode ficar. E não nos faz refletir apenas sobre o que pertence a nossa realidade, nos faz enxergar além do nosso umbigo. É um estilo mais "discursivo", digamos. Onde se tem menos melodia e mais informação.
O Funk surgiu simultâneamente ao RAP, nos EUA, através da música negra. No Brasil, no começo, as letras falavam sobre drogas, violência e a vida na favela e com o passar do tempo, passou a falar de assuntos eróticos. Hoje, temos o Proibidão, que fala sobre violência, droga, gangues e sexo e temos o Funk Ostentação, que fala de dinheiro e poder. Esse último de alguma forma quer mostrar que qualquer pessoa pode ter dinheiro e fama, mesmo se essa pessoa veio de uma favela. Ou seja, é possível "chegar lá".
Há quem diga: - AF, eu não gosto!
Beleza amiga (o). Ninguém vai te obrigar a gostar de alguma coisa. Se você não gosta, não é obrigada a ouvir, simples! Não perde seu tempo falando mal dos gostos alheios. A música não vai deixar de existir, as pessoas não vão deixar de gostar simplesmente porque você não curte. Sério, segue meu conselho: não se estresse pelo tímpano dos colegas. Independente do que você acha, esses dois estilos traduzem sentimentos e sensações para os adeptos deles.
Existe uma frase bem bacana que diz o seguinte: sua liberdade termina onde começa a do outro. Vamos adotar ela pra nossa vida?